Mercado de arte: diagnóstico e cura
Ricardo Ramalho
A Galeria Favo, entre outras iniciativas que existem na
cidade, visa atender e formar um público para arte.
O esgotamento da arte contemporânea pode ser observado em
três frentes: institucional, mercadológica e conceitual.
A quase totalidade das instituições de arte tem uma
programação cujo objetivo é basicamente perpetuar o valor
de mercado dos grandes nomes da arte, e a lavagem legalizada
de dinheiro público ou privado. As instituições estão
encasteladas e os artistas já perderam o interesse pelos
museus e centros culturais. Se os artistas não querem ver
arte, o público muito menos.Existe uma crise moral no sistema de arte.
Sob a ótica do mercado de arte, o público permanece sem
referências institucionais, e o pouco contacto do povo
brasileiro com artes plásticas ainda mais reduzido, e
o colecionador não é motivado a investir na arte de
um sistema desestruturado, sem liquidez.
Conceitualmente a arte contemporânea acabou. Existe uma
noção do senso comum do que é esta arte ; certas
parcelas da população já expressam: “não gosto de
arte contemporânea”.
Qual seria a nova arte? Como propor algo além da arte
contemporânea, se ela ainda não foi compreendida? Será o
caso de tentar entender essa arte?
As galerias de São Paulo se transformaram, há anos, no
último reduto da arte, entretanto o ambiente requintado das
galerias, a dificuldade do público em ser atendido por um
especialista, e o preço dos artistas apresentados afugentam-no. As galerias optam por artistas conhecidos e
seguros, e freqüentemente essas preferências chegam a cansar os
clientes, que buscam trabalhos novos e mais acessíveis.
O desafio das instituições de arte é manter uma programação
viva, em sintonia com as novas e velhas gerações. A
dificuldade do jovem artista em ser reconhecido
economicamente prejudica o mercado até para os artistas veteranos.