O CONCEITO DE SITE-RELATED E
PROJETOS COLETIVOS DE ARTISTAS
(resumo)
Claudia Paim
Quais os limites do conceito de site-specific? Qual é o limite do trabalho?
James Meyer é um autor que distingue duas noções de site: literal site e functional site. A idéia de literal site considera o site em seus aspectos físicos, sobretudo. Se, agindo assim, os artistas supõem o site como único o trabalho que realizam será, então, ele mesmo, único. É, até certo ponto, a lógica do monumento (MEYER: 2000, p. 24). Como exemplos podem ser observadas as civic sculptures de Richard Serra.
Em contraste com o literal site, o functional site pode ou não incorporar o espaço físico que, então, não é privilegiado neste tipo de prática. Ela é mais da ordem do processo. É relacional e provoca uma ativação simultânea de outros sites que podem ser de instituições a textos e comportar de discursos a corpos que lhes animam. Ele é um informational site, sendo possível sua composição de forma simultânea por textos, fotografias, vídeos gravados, espaços físicos e objetos (MEYER: 2000, p. 25).
O trabalho site-related é, para este autor, aquele que é pensado também como mobilidade, ou seja, e este traço não apenas é representado ou mimetizado pela própria forma do trabalho (MEYER: 2000, pp. 32-33). Os projetos de Green, Fraser e Müller citados como exemplos são observados como propositores “de um modelo de site que é, como o sujeito que o atravessa, móvel e contingente” (idem, p.35).
Vamos usar agora uma iniciativa coletiva de artistas para pensarmos sobre as transformações da noção de site: Hoffmann’s House. Observá-la dentro da contemporânea noção de site-related: aqui a tônica é um pensamento que toma o site como um espaço relacional.
H’sH é uma pequena casa de madeira pré-fabricada. Dois artistas chilenos adquirem uma, adotam seu nome de batismo, instalam-se em ruas e parques e convidam outros artistas para ali realizarem exposições. Depois de um certo período, migram.
1 MEYER, James. “The functional Site; or, The Transformation of Site Specificity”. In: SUDERBURG, Erika (ed). Space, Site, Intervention: situating installation art. Minneapolis (EUA): University of Minnesota Press, 2000.
Em 2003, H’sH foi convidada para integrar uma exposição no Museu Salvador Allende. A estratégia adotada pelos seus administradores é digna de atenção: buscaram ocupar o museu, sem perder suas singularidades. Optaram por acoplar a casa de madeira em uma das aberturas do museu.
Hoffmann’s House. Museo de la Solidaridad Salvador Allende, 4 de julho a 3 de agosto de 2003.
Vendo imagens desta “simbiose”, não podemos deixar de pensar que a estratégia é a de um organismo o qual usa outro e, por seu turno, é, de alguma maneira, também usado. Para este projeto os artistas/administradores da casa optaram por realizar uma grande mostra de videoarte com a projeção de mais de quarenta trabalhos. Devemos observar ainda o título desta mostra, “Con energia más allá de estos muros” – sugerindo que, mesmo do lado de fora das paredes de um espaço institucional de visibilidade, há energia e trabalho, ou talvez, existam por isto mesmo…Claudia Paim
artista plástica,
doutoranda em Artes Visuais pela UFRGS
2006